segunda-feira, 4 de julho de 2011

Memórias da Infância (7) - As Fugas

Eu


Que eu lembre, fugi pela primeira vez "atrás" de minha mãe que tinha ido ao cabeleireiro. Acho que fiquei com saudade dela e saí de casa pra procurá-la. Eu já tinha ido com ela nesse salão outras vezes. Ficava na curva "da pista", como chamávamos. Devia ficar onde hoje é a Farmácia Santa Fé, na Hermes com a Potengi. 

Acho que era meio perigoso pois tinha que atravessar várias ruas, e, eu devia ter uns cinco anos. Quando minha mãe me viu chegando lá, quase tinha um ataque... Acho que já cheguei aos berros. Eu era mesmo uma chorona... 

Depois que cresci um pouquinho deixei de ser chorona. Passei a ser "braba"!

Sobre outras fugas, tive muitas programadas e nenhuma cumprida. Quase toda vez que minha mãe brigava comigo, eu ameaçava ir embora. Uma das vezes, foi por puro ciúme. Ela passou a elogiar muito uma menina filha de uma das empregadas, que tinha a minha idade. Aí eu resolvi sair de casa. Ela nem ligou e até me ajudou a arrumar as malas. Abriu meu guarda-roupa e disse: "Vai querer levar o que?". Fiquei tão chateada que só fui até o portão... Voltei. 


Meus três irmãos

Do meu irmão mais velho, João, já contei das fugas dele. Pelo menos as que lembro. Ia direto pra casa de minha vó, que ficava quase em frente à nossa. Ficava uns dias por lá e fazia "plantão" numa cadeira de balanço na calçada, todas as tardes. Depois voltava pra casa...

De Mário Ivo, o caçula, não lembro de nenhuma fuga. Acho que ele era mesmo bonzinho...

Mas, as melhores fugas eram de Carito, meu irmão do meio. Sorte nossa em conseguir achá-lo porque ele fugia sempre pro mesmo lugar. Pra Praça Pedro Velho. E ele era bem pequenininho.. Mas, o danadinho fugia todo serelepe e feliz. Da Praça lá pra casa e vice-versa era um bom bocado de caminho. Acho que também era perigoso, com muitas ruas a se atravessar...

Bem, quando o encontrávamos, ele estava sempre sentadinho em um dos bancos da Praça, balançando os pezinhos. E quando perguntavamos: "Onde você tava, menino?". Ele sempre respondia, com cara de felicidade: "No inferno das cuias", ou era "No cafundé do Judas"? ...


A Praça Pedro Velho antigamente com seus tanques... (http://nataldeontem.blogspot.com/2008_09_01_archive.html)

Foto: Nada a ver com fugas, mas já que falamos da Praça Pedro Velho (pra onde Carito fugia)...  Eu e minha mãe na tal Praça! Achava essa praça! Era o máximo, com seus tanques d'água, que pra mim pareciam piscinas, e suas árvores cortadas em forma de animaizinhos...





2 comentários:

  1. Obrigado pela parte que me toca... ou que me foge... ou que eu fujo... rsrs... são pontos de fugas - outra perspectiva: contos de fugas... Encontros...

    Há braços!

    E pernas pra que te quero!

    Beijos!

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  2. Maria Lígia (Mara)17 de julho de 2011 14:50

    Há essas fugas!!!! Parece que nessa época, isso era praxe. Uma forma de enfrentar nossos pais. Meu irmão Hernani, que era o mais danadinho dos meus irmãos, quando levava uns carões de meus pais ele fugia para casa de minha avó , que ficava na rua Mossoró, a duas quadras da minha casa, ou fugia para a esquina e ficava sentado na casa de D. Irene, lembra Ana Célia de D. Irene, tia de Marcos Pitomba? Ele fugia e eu ia levar almoço para ele lá na esquina, kkkk. Imagine isso hoje! Nem pensar!

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