quarta-feira, 22 de junho de 2011

Memórias da Infância (3) - Na Rua Otávio Lamartine & Outras Ruas "familiares"

Na Rua Otávio Lamartine...
Minha vó Belita e meu vô Estevam (ano 57)
Minha vó Belita morava na Rua Otávio Lamartine. Na mesma rua moravam um primo de minha mãe, casado, e uma prima também casada. Todos com filhos, ou seja, nossos primos "segundos" (Vicente, Almir, Silvio, Gilda...). Na rua "de trás", a Trairi, moravam meu tio Du (irmão da minha mãe), minha "tia Míria" e meus primos, Markito e Cabeto.


A casa da minha vó Belita

Na casa da minha vó tinha um quarto só pra mim. Era o primeiro quarto, o da frente! Arejado, ventilado, confortável e imenso para os meus olhos infantis. Lá era meu refúgio.

No quintal, tinha uma goiabeira, também de goiabas brancas igual a da minha casa, e eu resolvi fazer um balanço lá. Peguei uma vassoura com aquele cordãozinho que usam para pendurá-las e, num prego na goiabeira adaptei o meu balanço. Resultado: uma queda na hora! Como diabo aquele cordão iria aguentar meu peso, por pouco que fosse? 

Por azar, bati a cabeça numa calçadinha cimentada e não na areia. Vendo o sangue, me apavorei e fui pro meu refúgio. Era apenas um pequeno corte, mas na minha cabeça eu ia morrer ali mesmo...

Nós comíamos numa mesa que ficava numa espécie de varanda aberta e grande no quintal. Vendo a natureza! Me lembro de vovô comendo coalhada com mel... Eu também adorava coalhada com mel, até hoje gosto! 

Falando em vovô teve um tempo que eu morria de medo dele. Me disseram que ele era Espírita e eu na minha cabecinha entendi que ele era uma "alma". Toda vez que escutava seus passos vindos pelo beco da casa (ele costumava entrar pelo beco, na lateral, e dificilmente pela porta da frente...), eu corria e ia pro meu "refúgio"... 


Bom, na rua mesmo (a "de vovó") brincávamos muito pouco. Diferente da nossa rua, eu não tinha muita intimidade com os vizinhos dela, e era muito tímida pra tentar novas amigas. Então curtia mais a casa da minha vó, meus brinquedos e de vez em quando ia brincar com meu primo Markito na casa dele, que ficava justo atrás da casa da minha vó. 


Na Trairi, casa de meus primos (por parte de mãe)...

Lembro que quando nasceu meu outro primo, resolvemos "derrubar" a cestinha de shampoos, perfumes, sei lá mais o quê, do bebê Cabeto. Não sei se "fui pela cabeça" de Markito, que talvez tava com ciúmes, ou se eu também fui autora da arte. Nem lembro como findou isso e nem sei se cumprimos de fato a missão ou se só foi uma intenção...

Eu e Markito, comemorando um "Dia da Criança".
Lá tinha um grande jardim-quintal e nesse espaço podíamos brincar à vontade. Tinha também um tanque, que uma vez Cabeto, já maiorzinho, caiu nele. Acho que fazia parte de uma brincadeira de tentar "pular" a "boca" do tanque de um lado ao outro. Meu tio Du pulou no tanque como louco e o salvou!


Eu gostava de ir pra casa de "tia Míria" (assim eu a chamava, embora Du era que era o irmão da minha mãe) porque a comida de lá era boa. Não gostava nada da comida da minha casa. Na da minha vó eu comia o que queria... Mas, na casa de tia Míria era só coisa boa! O chato era que ela sempre queria cortar meu cabelo. 


Uma vez ela, juntamente com meu pai, me prometeram uma bola grande e colorida se eu deixasse cortar o cabelo. Deixei. ganhei a bola,mas minhas amigas furaram minha linda bola na primeira brincadeira... Chato isso. Não gosto de cortar meus cabelos, não deveria ter deixado...

Passeios com minha avó e outras histórias

Minha avó levava a gente pra passear na praia. Eu e Markito.  Íamos de ônibus. Na verdade eram longos passeios de ônibus e depois parávamos na praia, que era bem perto de nossas casas. A gente ficava por lá um tempão brincando na areia...

Ela também me levava muitas vezes para a escola de ônibus. Normalmente quando eu dormia lá, e isso acontecia muito. Como eu era criança, não precisava pagar a passagem, mas eu queria pagar porque os "tickets" eram fichas coloridas de plástico. Ela fazia meus gostos...

Vovó costurava meus vestidos. Eu tinha um monte de vestidos.. Até adolescente ela costurava pra mim, e eu tinha uma roupa nova a cada fim de semana. Isso quando ela não resolvia comprar pronta! 

Com vovó nunca me faltou nada. Bastava eu pensar em ter algo e o algo aparecia na minha frente, inclusive "grana". Claro, não demais, mas eu tinha... Às vezes eu pedia e ela dizia que só tinha dinheiro "grande". Eu retrucava dizendo que não me importava ou que então ela cortasse o grande em vários pequenos...


Vovó estava sempre presente na vida d'a gente. Quando ela morava na Otávio Lamartine ela ia todo dia nos visitar, ou pelo menos eu, ia lá.... Às vezes eu passava dias por lá... Depois ela mudou-se pra nossa rua. Aí era um vai e vem, dela na nossa casa e de nós na casa dela. 


Meu irmão João, quando brigava em casa, se "mudava" pra lá, e ficava sentado uma cadeira de balanço na calçada, tentando provocar minha mãe ou se mostrando. Como ela nem ligava (ou não demonstrava), ele acabava voltando...


Minha vó tinha uma cômoda alta que eu gostava de subir. Abria as gavetas, fazendo-as de degraus e subia... Lá em cima, eu mexia em suas jóias.... Ficava horas nessa brincadeira. Um dia ela me deu quase todas...


Parecida co a cômoda da minha vó (http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-157754233-comoda-antiga-de-madeira-de-embuia-110de-compr-110alt-_JM)

Gostava também de abrir as gavetas de vovô, escondida dele. Ele não gostava. Lá tinha um monte de treco. Um milhão de giletes, ligas de prender dinheiro, etc e tal. 


De Carnavais 


Minha tia Míria era muito alegre e fazia um bom par com meu pai. Nos carnavais, saíamos eu, meu irmão João, meus dois primos, Cabeto e Markito, meu pai e tia Míria. Todos vestidos de papangu, com um pau na mão, a entrar pelas casas conhecidas. Um barato! De vez em quando levávamos uns "foras"... 


Papangús (http://br.olhares.com/cultura_nordestina__papangu_foto116689.html)
Também, nos carnavais minha mãe nos fantasiava, e saiamos por aí, as tardes, a passear, com uma lança de perfume "de verdade" daquelas douradas. naquele tempo até criança usava lança... As fantasias eram "caprichadas". Nisso, minha mãe era "craque"!

http://artigosedwardsouza.blogspot.com/2010/04/anos-inocentes.html



De outras tias e primos ("por parte de pai")


Na casa de Violeta, uma das irmãs de meu pai, íamos pouco. Mais em aniversários dos primos, e às vezes em alguns fins de semana quando íamos passear pelo "Grande Ponto", pois ela morava "por perto". Mas lembro muito bem da casa! 


eu e meus primos Pepe e Paulo, filhos de Violeta.

Da casa de Mariana, a irmã mais velha, poucas lembranças...Lembro que ela era muito engraçada. Gostava de ouvi-la falar. Mariana tinha um monte de filhos, mas esses primos eram bem mais velhos que a gente, a não ser o caçula... 


Uma das primas, filha de Mariana, foi professora particular de João, meu mano, que quando descobriu que o marido da minha tia guardava um "caixão de defunto" em seu escritório, arribou de lá, e não quis mais as aulas... (Uau!)


Já da casa de Lalá, que morava com Sinhazinha, tia de meu pai, tenho mais recordações. Adorava a carne moída que Zefinha fazia. Ia por lá muitas vezes, passar o dia ou dias. De lá ia passear pela rua (moravam perto da catedral velha já descendo pro rio) e ia numa biblioteca que tinha na praça da catedral. Adorava ler naquela biblioteca e adorava ver o rio Potengi de perto e de longe, da varanda da casa...


Pracinha e antiga Catedral. A Biblioteca infantil ficava por aí
Falando em carne moída eu gostava muito também da carne da casa de Helianinha, uma prima "segunda", filha de Heliana, prima da minha mãe. De vez em quando ia por lá, brincávamos, andávamos de bicicleta...


Voltando ao lado de pai... Tinha mais uma irmã dele, Ana Maria, que era solteira e morava no Rio. Depois, quase todas as irmãs de pai, exceto Mariana, foram também morar no Rio. Era bom, porque sempre estávamos indo passar férias por lá!


Eu e João, com Ana Maria, irmã de meu pai, e minha mãe (com bolsa). RJ.
Sobre o Rio, minha primeira viagem, já contei em outro texto...


E, pra terminar me lembrei de uma musiquinha que eu gostava de cantar:


"Lá na ponte da Aliança Todo mundo passa 
Lá na ponte da Aliança
Todo mundo passa

As lavadeiras fazem assim
As lavadeiras fazem assim
Tra-lá-lá-lá
Tra-lá-lá-lá ..."









6 comentários:

  1. Primadona, como gosto desses seus relatos que nos faz viajar no tempo. Uma coisa que chama a atenção é como a percepção de uma mesma realidade é diferente de passoa para pessoa. Por exemplo, fui várias vezes almocar na casa de tio Jessé/crinaura pq estava de saco cheio da comida lá de casa. Mas o que me atraia mesmo era o bom papo com Carito, João e Mário Ivo. Fizemos uma reprise essa semana desses almoços. Vamos em frente!
    Cabeto

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  2. Cabeto, eu acho que no íntimo já sabia disso, de tanto lhe ver lá por casa na hora das "comidas" hehehehe! Mas, eu gostava mesmo era da comidinha da sua casa, vejam só! Especialmente de algumas que sua mãe fazia... Parece que "a grama do vizinho é sempre mais verde", né?

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  3. Maria Lígia (Mara)24 de junho de 2011 16:19

    Ana Célia, minha grande amiga, estou acompanhando e gostando muito dos seus relatos. É bem o seu jeito de contar os fatos ocorridos. Me identifico com esse seu jeito a de ser, de contar as coisas com naturalidade. Não é à toa que a somos amigas desde o primeiro ano "do ensino fundamental" ( para não dizer do curso primário - isso é muito antigo, não é?).E o curioso é que tem tomadas bem divertidas. Eu já ri um bocado nessa história 3!!

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  4. Parabéns pelo blog!!! Doces lembranças sempre
    nos fazem bem, mesmo as não tão doces também possuem seu lado positivo: nos fazem amadurecer.

    abço
    Dacifran

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  5. Revivi suas lembranças hoje.Beijos, Laura.

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